Mostrando postagens com marcador conflitos no Egito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conflitos no Egito. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Efeito Dominó

É amigos, não deu outra. Como eu disse no post anterior, 30 anos em 18 dias,  o Oriente Médio começa a passar por profundas mudanças após o declínio de longinquos governos, como o da Tunísia e o recente caso no Egito. E após perceberem o poder que a força popular tem, outros países da região iniciaram suas lutas em busca da maioridade.

Nesta segunda-feira foi a vez de Iêmem, Argélia e Bahrein colocar em xeque seus governos. No Iêmem o povo pede pela renúncia do então presidente Ali Abdullah Saleh que, já visando os recentes acontecimentos no Egito já está supostamente negociando com a oposição para que ocorram pequenas reformas (como foi proposto no Egito, mesmo não dando certo lá).

Polícia do Iêmen entra em confrontos com manifestantes
 
A situação na Argélia, atualmente governada pelo presidente Abdelaziz Bouteflika foi propiciada devido a falta de empregos. E como não podia deixar de ser, tapar o sol com a peneira sempre parece ser a melhor solução, assim sendo os jovens manifestantes foram reprimidos com gás lacrimogênio e várias pessoas ficaram feridas (repetindo... no Egito a situação foi parecida e...) aumentando ainda mais a visagem internacional e o apoio aos dos protestos.

O terceiro país a reivindicar sua democracia nesta segunda-feira foi o Bahrein. Neste houve relatos de ter ocorrido até uma morte resultante dos confrontos entre protestantes e as forças de segurança. Dentres as reclamações está a descriminação que a população xiita (maioria no país) enfrenta diante a um governo sunita. Até então haviam protestos envolvendo motivos religiosos.

Enquanto o autoritaristo está tremendo em suas agora frágeis bases, os déspotas ainda tomam cada vez mais e mais medidas errôneas na tentativa de fragilizar os movimentos democráticos. Medidas absurdas vem sendo tomadas já algum tempo, como a prisão da jovem síria de 19 anos, presa desde 2009 por postar em seu blog artigos em que dizia ansiar por um papel no futuro da Síria, governada há 50 anos pelo partido Baath e pedir ao presidente Barack Obama mais apoio a causa palestina. O governo dos EUA já apelaram pela libertação da moça que ainda está presa. (Reuters)

Tal al-Molouhi, a jovem de 19 anos cursava o ensino médio e foi presas após fazer algumas postagens em seu blog a respeito do futuro de seu país, a Síria.

A cada nova tentativa de por panos quentes sobre os protestos, os governantes acabam por aumentar o apelo internacional e dar ainda mais força a movimentos oposicionistas que não são trouxas e não se deixam enganar. A difusão de informações é imensa e muito ágil, uma prisão como a da jovem acima citada, hoje é rapidamente motivo de comoção internacional, enfraquecendo o governo muito mais do que as pequenas postagens da jovem que foi acusada de "revelar informações a um país estrangeiro".

O fato é que a democracia está em meio a um jogo de poderes e o povo não mais assiste a tudo calado. O povo quer sua maioridade! Não quer que escolham para ele quem vai mandar nele e em seu chão. O povo quer decidir, escolher, voltar! O povo é soberano assim como a democracia. Não tardará até que todos viveremos sob a decisão do grande público. Até lá a persistência é a melhor arma que temos.

ATUALIZAÇÃO


Esta segunda-feira também foi a vez dos iranianos (finalmente) se rebelarem contra o governo de Mahmud Ahmadinejad. Os manifestantes foram às ruas entoando slogans usados na re-eleição do ditador, como "Morte do Ditador!". Novidade!: A manifestação foi duramente reprimida pela polícia iraniana. Desta vez os EUA se posicionaram frente as manifestações. Como não podia deixar de ser a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que o país apoia as reivindicações dos iranianos. Pessoalmente espero que este seja o próximo dominó a cair. Força povo iraniano!


Fontes: MSN Notícias, Reuters, Rádio Metrópole (blogmk.com.br)

Imagem 1 - Iêmen: Plano Brasil (planobrasil.com)
Imagem de Tal  al-Molouhi: Global Voices Advocacy

domingo, 13 de fevereiro de 2011

30 anos em 18 dias

Democracia! Pode não ser a palavra da vez, mas sempre está na moda. Em seu curso sobre a terra o ser humano sempre buscou por liberdade. Liberdade para ir e vir, liberdade para escolher o que quer e o que não quer e, hoje, liberdade para decidir quem vai comandar ou não a sua nação. E mesmo que tarde, o sentimento da liberdade aflora e quando esse sentimento é nutrido e toma força popular, nada mais o segura, nem mesmo uma ditadura clássica como a do Egito.

Após 30 anos de uma quase monarquia, Hosni Mubarak, agora ex-ditador do Egito, não conseguiu controlar a explosão popular e renunciou ao cargo. Algumas manobras de Mubarak, como oferecer seu cargo ao vice-presidente e optar por não concorrer a outro mandato, não foram sufucientes para acalmar a população egípcia. Até mesmo seu filho Gamal Mubarak, suposto sucessor de Hosni, abandonou o partido do pai (PND) após a crise explodir.

Entretanto, mais de 20 países ainda continuam sob governos longinquos. Porém como a esperança é a última que morre, a queda de Mubarak pode ser vista como a queda da segunda peça de uma sequência de dominós em pé. Com a primeira pedra sendo a Tunísia.



Tudo parece estar bem agora, não é? Não?
Pois é, para os Estados Unidos a renúncia de Mubarak pode ser uma bela de uma pedra no sapato.
Estados Unidos e Egito mantinham uma excelente aliança, sob o ponto de vista norte-americano. Dentre os países do Oriente Médio, o Egito é o país que mais recebe ajuda direta dos EUA, algo em torno de 2 blilhões de dólares por ano. E isso não é por acaso. O Egito tem boas reservas de petróleo, é um país rico na região e está situado muito próximo a áreas de conflito no Oriente Médio. Mas o maior medo ocidental em perder o controle sobre o país vem de outro protegido dos EUA, Israel. No oriente médio, Egito e Jordânia são os únicos países a manter tratados de paz com Israel e um novo governo egípcio poderia por fim a esse acordo. Mas os problemas dos Estados Unidos não acabam por aí, a eleição de um membro opositor ao governo anteriormente orquestrado pelos norte-americanos poderia significar o rompimentos de laços entre Egito e Estados Unidos.


Diante de tantos problemas os Estados Unidos decidiu adotar uma posição neutra. Não dá para simplesmente fazer como o enviado especial dos EUA no Egito, Frank Wisner, e defender a permanência do ditador no cargo. Como também não pode esfaquear pelas costas sua fiel marionete Hosni Mubarak. Diante do impasse, o governo norte-americano deixa os problemas do Egito para os egípcios resolverem.

De certo modo a neutralidade dos EUA era vantajosa para Mubarak, já que não poderia ir contra a superpotência que tanto financiou os gastos do governo egípcio caso ela se declarasse contra o regime. Porém Mubarak deu um tiro no pé após frear a imprensa (diga-se de passagem andamos vendo muito isso, o direito da livre imprensa sendo soberano). Repórteres de diversos países eram ou impedidos de gravar ou recolhidos pelas forças de segurança egípcias, incluindo profissionais norte-americanos. Diante de tais fatos, aliados à pressão política internacional e a adesão das redes sociais e empresas do ramo, não havia mais como os Estados Unidos manterem a imparcialidade e passaram então a se opor, mesmo que indiretamente, a ditadura Egípcia.

Falando em redes sociais, o grande sucesso dos movimentos populares se deve a dois fatores: primeiro às redes sociais que abriram espaço para as convocações de manifestação e mesmo quando fechadas no Egito encontraram um meio de burlar essas barreiras e ainda atuar no país. Segundo a força de vontade Egípcia, pois em muitos momentos era preciso pensar em coletivo. Não havia como espalhar tantas convocações a população egípcia, mas mesmo assim, como se pensassem igual, todos acabavam indo para as manifestações, muitos em pequenos grupos que ao chegar no local determinado formavam uma imensa multidão.
Ver em Tamanho Original

Fonte: http://blogdoitarcio.blogspot.com/


O fato é que os 30 anos de Mubarak no poder não foram páreos para os 18 dias de protestos no Egito.  As mídias e as tecnologias aliadas à força popular colocaram fim ao antiquado regime ditatorial no país. O povo mostrou a que veio e não desistiu, apesar dos contra-protestos feitos às escuras pelo governo do país. Graças a perceverança dos egípcios o mundo viu que é possível sim sair de uma ditadura enraizada e fez surgir uma nona luz sobre o oriente médio. A luz da democracia.

Peço agora licença à dissertação, mas devo dizer que espero que a luta do povo egípcio traga bons resultados ao país e à região. Não adianta tanta luta se acabarmos lutando contra nossos vizinhos. Certamente a garra dos egípcios vai ser gravada nos próximos capítulos dos livros de história e tomara que acompanhada de muita democracia, liberdade e paz.



CONTRAPARTIDA RECOMENDA

Se você deseja entender tudo sobre a série de conflitos envolvendo o Egito acesse esta página do portal de notícias do G1, onde você encontrará um belo resumo de todo esse conflito.
http://g1.globo.com/crise-no-egito/noticia/2011/02/entenda-crise-no-egito.html

Se você deseja um artigo completo e com opinião, acesse esta página onde você encontrará uma descrição aprofundada sobre os conflitos no Egito.
http://www.contee.org.br/noticias/artigos/art587.asp
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...